A lenda do Saci

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A lenda do Saci para ler para as crianças. Um moleque de uma perna só e gorro vermelho vira tudo do avesso, até alguém entender o jogo dele.

No sítio da dona Benta, as coisas começaram a sair de lugar.

No sítio da dona Benta, as coisas começaram a sair de lugar. O leite azedava antes do meio-dia, mesmo na sombra. As crinas dos cavalos apareciam trançadas de manhã, com nós tão apertados que não se desfaziam com a mão. E o sal, que ficava sempre no mesmo pote, aparecia no açucareiro.

A princípio todos acharam que era distração.

A princípio todos acharam que era distração. Mas quando o chapéu do seu Tonico apareceu no galho mais alto da goiabeira, e o seu Tonico jurava que não subia em árvore desde os doze anos, a casa entendeu que havia outra explicação.

— É saci — disse dona Benta, e continuou descascando mandioca, porque não era a primeira vez na vida dela.

— É saci — disse dona Benta, e continuou descascando mandioca, porque não era a primeira vez na vida dela. — Saci é o quê? — perguntou Lu, a neta, que tinha nove anos e passava as férias ali.

— Um moleque de uma perna só — disse a avó.

— Um moleque de uma perna só — disse a avó. — Usa um gorro vermelho e anda dentro de redemoinho. Não faz mal a ninguém. Só que ele não consegue passar por um lugar sem virar alguma coisa do avesso, do mesmo jeito que você não consegue passar por uma poça sem pisar.

Lu passou a semana inteira olhando.

Lu passou a semana inteira olhando. E foi vendo que as coisas não aconteciam de qualquer jeito. O redemoinho de poeira no terreiro aparecia sempre antes: primeiro o redemoinho, depois a bagunça. E o redemoinho sempre vinha do lado do bambuzal.

Na quinta-feira ela perguntou à avó como se pega um saci.

Na quinta-feira ela perguntou à avó como se pega um saci. Dona Benta pensou um pouco. — Dizem que a força dele está no gorro — disse. — Quem pega o gorro, manda nele. E dizem também que ele não sai de dentro de uma garrafa se a garrafa estiver bem fechada.

Lu arrumou o que precisava: uma garrafa de vidro com rolha de cortiça, uma peneira velha e paciência.

Lu arrumou o que precisava: uma garrafa de vidro com rolha de cortiça, uma peneira velha e paciência. Sentou no degrau da cozinha, de tarde, quando o vento costumava virar, e ficou esperando sem fazer barulho.

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Fonte do texto: Lenda do folclore brasileiro, em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão de nenhuma versão publicada.

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