A lenda do Curupira
- 6-8 min de leitura
- 14 páginas
A lenda do Curupira para ler para as crianças. O guardião da mata tem os pés virados para trás, e quem leva mais do que precisa se perde.

Na beira da mata grande ficava um lugarejo de poucas casas, e todo mundo ali sabia de cor uma regra: da mata se tira o que se precisa, e nada além disso. Quem não sabia dessa regra era avisado no primeiro dia. Quem não acreditava, descobria sozinho.

Porque a mata tinha um guardião. Diziam que ele era do tamanho de um menino, que os cabelos dele eram vermelhos como fogo de lenha, e que os pés dele eram virados para trás — os dedos apontando para onde ele já tinha passado, e o calcanhar para onde ele ia.

O nome dele era Curupira. Ninguém no lugarejo dizia ter visto o rosto dele. Mas quase todos, alguma vez na vida, tinham visto as pegadas: um caminho de pés que parecia sair da mata quando na verdade estava entrando nela.

Zeca caçava naquela mata desde menino, e nunca se perdeu. Ele levava um cesto só, nunca dois. Não mexia em ninho. Não cortava árvore nova. E antes de entrar, deixava num toco um pouco de fumo de rolo, porque era assim que o avô dele fazia e o avô nunca explicou por quê.

Numa seca, chegou ao lugarejo um homem de fora, chamado Belmiro. Ele riu do fumo no toco. — Isso é história de assustar criança — disse. — Mata é mata. O que tem dentro é de quem chega primeiro.

Belmiro entrou na mata de manhã com duas espingardas e três cestos vazios. À tarde os três cestos estavam cheios, e ele continuou. Encheu a rede. Encheu o saco. Amarrou o resto em dois feixes e pôs nos ombros.

Quando ele se virou para voltar, o caminho estava no lugar. Belmiro andou meia hora e chegou a um jatobá enorme com uma cicatriz no tronco. Achou estranho, porque tinha passado por aquele mesmo jatobá de manhã, no começo do caminho.
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A segunda metade da história, com ilustrações e sem internet.

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Fonte do texto: Lenda do folclore brasileiro, em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão de nenhuma versão publicada.
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