A lenda do Curupira

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A lenda do Curupira para ler para as crianças. O guardião da mata tem os pés virados para trás, e quem leva mais do que precisa se perde.

Na beira da mata grande ficava um lugarejo de poucas casas, e todo mundo ali sabia de cor uma regra: da mata se tira o que se…

Na beira da mata grande ficava um lugarejo de poucas casas, e todo mundo ali sabia de cor uma regra: da mata se tira o que se precisa, e nada além disso. Quem não sabia dessa regra era avisado no primeiro dia. Quem não acreditava, descobria sozinho.

Porque a mata tinha um guardião.

Porque a mata tinha um guardião. Diziam que ele era do tamanho de um menino, que os cabelos dele eram vermelhos como fogo de lenha, e que os pés dele eram virados para trás — os dedos apontando para onde ele já tinha passado, e o calcanhar para onde ele ia.

O nome dele era Curupira.

O nome dele era Curupira. Ninguém no lugarejo dizia ter visto o rosto dele. Mas quase todos, alguma vez na vida, tinham visto as pegadas: um caminho de pés que parecia sair da mata quando na verdade estava entrando nela.

Zeca caçava naquela mata desde menino, e nunca se perdeu.

Zeca caçava naquela mata desde menino, e nunca se perdeu. Ele levava um cesto só, nunca dois. Não mexia em ninho. Não cortava árvore nova. E antes de entrar, deixava num toco um pouco de fumo de rolo, porque era assim que o avô dele fazia e o avô nunca explicou por quê.

Numa seca, chegou ao lugarejo um homem de fora, chamado Belmiro.

Numa seca, chegou ao lugarejo um homem de fora, chamado Belmiro. Ele riu do fumo no toco. — Isso é história de assustar criança — disse. — Mata é mata. O que tem dentro é de quem chega primeiro.

Belmiro entrou na mata de manhã com duas espingardas e três cestos vazios.

Belmiro entrou na mata de manhã com duas espingardas e três cestos vazios. À tarde os três cestos estavam cheios, e ele continuou. Encheu a rede. Encheu o saco. Amarrou o resto em dois feixes e pôs nos ombros.

Quando ele se virou para voltar, o caminho estava no lugar.

Quando ele se virou para voltar, o caminho estava no lugar. Belmiro andou meia hora e chegou a um jatobá enorme com uma cicatriz no tronco. Achou estranho, porque tinha passado por aquele mesmo jatobá de manhã, no começo do caminho.

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Fonte do texto: Lenda do folclore brasileiro, em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão de nenhuma versão publicada.

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