Trava-línguas para crianças: infantis, fáceis e difíceis
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Trava-língua não é para ler, é para falar — e para falar errado na primeira vez, que é justamente a graça. A boca precisa mudar de posição mais rápido do que está acostumada, erra, todo mundo ri e começa de novo. Nesses três minutos a criança treina mais pronúncia do que em meia hora de correção.
Estão todos inteiros nesta página: não tem nada para baixar e nada cortado. Embaixo de cada um a gente diz o que exatamente trava — se são os erres, se são duas palavras quase iguais coladas, se é o sentido que se embaralha — porque saber onde está a armadilha é metade do jogo.
São trava-línguas do folclore brasileiro, anônimos e de domínio público, daqueles que se falam em pátio de escola há mais de cem anos. Alguns foram escritos por nós, para as idades em que os tradicionais são compridos demais, e isso está marcado em cada um.
Coleções de trava-línguas
- Trava-línguas difíceis para quebrar a língua11 trava-línguasEstes não saem na primeira nem na quinta, e esse é o trato. Trava-língua difícil não é o que tem palavra esquisita: é o que coloca dois sons quase iguais tão perto que a boca não consegue trocar de posição no meio.
- Trava-línguas infantis para os pequenos12 trava-línguasCom criança de dois ou três anos nenhum trava-língua famoso funciona, e não é falta de treino: nessa idade a boca ainda não separa bem o «r» do «l» nem o «s» do «ch», e um trava-língua difícil só faz ela se frustrar e não querer mais brincar.
- Trava-línguas curtos de uma linha10 trava-línguasCurto aqui quer dizer que cabe numa respiração, não que sai de primeira. «O rato roeu a roupa do rei de Roma» tem oito palavras e derruba metade das pessoas no «roupa do rei».
- Trava-línguas engraçados de rir alto10 trava-línguasTem trava-língua que é difícil e tem trava-língua que é engraçado, e nem sempre é o mesmo. Estes dez ganham pela bobagem: uma pergunta que não tem resposta, um bicho fazendo o que não devia, uma frase que se morde na própria cauda.
Como falar em cada idade
De 2 a 4 anos. Só os de uma linha, e bem devagar — tão devagar que seja impossível errar. Nessa idade não é para correr: a criança está aprendendo a colocar a língua em lugares novos, e a velocidade vem sozinha um ano depois. «Casa suja, chão sujo» é um bom primeiro porque ela entende o que está falando.
De 5 a 7 anos. Aqui começa o bom: já repete três vezes seguidas e já acha graça de errar. Joguem revezando, e erre você de propósito algumas vezes. Os de bicho e de comida funcionam melhor do que os abstratos, porque a criança enxerga o que está dizendo.
De 8 a 10 anos. Os difíceis e os compridos, e o jogo ao contrário: que ela invente um. Escolhe-se uma letra, procuram-se cinco palavras que comecem igual e tenta-se colocar todas numa frase só. O primeiro sai torto; o terceiro já trava de verdade — foi assim que todos estes nasceram.
Depois dos trava-línguas, uma história: histórias ilustradas para dormir na Marytale →
Trava-línguas do folclore brasileiro, anônimos e em domínio público, de tradição oral registrada desde o século XIX — entre outros por Sílvio Romero em «Cantos Populares do Brasil» (1883). A seleção, as notas sobre o que trava e os trava-línguas marcados como nossos são da Marytale. Fonte: Sílvio Romero, 1883.