Cantigas de roda

Cantigas de roda com a letra inteira: as que se cantam de mãos dadas, com o que cada uma manda fazer e de onde vêm as palavras que ninguém mais usa.

17 histórias

Cantiga de roda não é canção que se ouve, é canção que se faz: quase toda uma delas manda alguém fazer alguma coisa. Dar a meia volta, entregar o chapéu ao outro, juntar o pé com o pé, escolher três cavalheiros. Por isso a letra sozinha nunca conta a história toda, e debaixo de cada uma escrevemos o que a roda faz enquanto canta.

As dezessete daqui são tradicionais e anônimas, e estão com a letra completa em ortografia de hoje. Guardam palavras que saíram do português falado — «fieira», o cordão de pôr o pião a girar; «jururu», que é estar cabisbaixo; a rua do Sabão, que é uma rua antiga do Rio. Explicamos essas no fim de cada cantiga, porque uma criança pergunta na primeira vez.

Escolhemos dezessete de trinta e sete. Ficaram de fora as que ameaçam a criança, as que falam de bebida e as que carregam o vocabulário da casa senhorial — e também duas que hoje as famílias brasileiras cantam mudadas. Não mudamos nenhum texto: preferimos não publicar a publicar corrigido e chamar de tradição.

Perguntas frequentes

A partir de que idade?
A partir dos três anos. As mais curtas — «Meu limão, meu limoeiro», «Capelinha de melão», «Pezinho» — saem inteiras na terceira repetição, e é assim que a criança aprende: pelo som, antes do sentido.
Qual a diferença entre cantiga de roda e parlenda?
A cantiga se canta, quase sempre de mãos dadas e em movimento. A parlenda se fala no ritmo, sem melodia, e serve para sortear ou contar. Aqui estão cantigas.
Precisa saber a melodia para brincar?
Não. Muita gente aprendeu estas cantigas sem nunca ter ouvido uma gravação, porque o compasso está na própria letra — repare nos versos repetidos em «Se esta rua fosse minha»: a repetição é o andamento.

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