Trava-línguas curtos de uma linha

10 trava-línguas

Curto aqui quer dizer que cabe numa respiração, não que sai de primeira. «O rato roeu a roupa do rei de Roma» tem oito palavras e derruba metade das pessoas no «roupa do rei».

São os primeiros que uma criança aprende e os únicos que ela vai lembrar daqui a vinte anos. Comecem devagar e acelerem um pouco a cada volta — três vezes seguidas sem rir é a regra de sempre.

  1. O rato roeu a roupa do rei de Roma.

    O que trava: Cinco «r» em oito palavras, uns brandos e outros fortes. «Roupa do rei» é onde quase todo mundo cai.folclore

  2. O peito do pé de Pedro é preto.

    O que trava: «P» seis vezes, e três delas com «r» atrás. Seis palavras e já não sai limpo na primeira.folclore

  3. Bagre branco, branco bagre.

    O que trava: Duas palavras que trocam de lugar. O «br» duplo no meio é o que trava.folclore

  4. Casa suja, chão sujo.

    O que trava: «S», «ch» e «j» em quatro palavras. É o melhor primeiro trava-língua para criança de dois anos: ela entende cada palavra.folclore

  5. Fala, arara loura! A arara loura falará.

    O que trava: «Arara» tem três «r» brandos seguidos, e «falará» tem mais um. Curto e é dos mais difíceis desta página.folclore

  6. Larga a garrafa, Rafa!

    O que trava: «Larga», «garrafa», «Rafa»: as mesmas letras remexidas, com «r» brando e «rr» forte na mesma frase. Quatro palavras.folclore

  7. Chuva, chuvisco, chuvisqueiro.

    O que trava: A mesma palavra crescendo três vezes. Não é difícil — é um degrau, bom para ganhar confiança.folclore

  8. Gato preto, prato preto.

    O que trava: «Gato» e «prato» e depois «preto» duas vezes. Quatro palavras e a língua já troca.nosso

  9. Pé de pato, pato de pé.

    O que trava: As mesmas três palavras invertidas. Dá para falar andando e gingando, que criança de quatro adora.nosso

  10. Doze doces docinhos.

    O que trava: Três palavras, todas com «d» e «z» ou «c». O mais curto de todos — e mesmo assim, na quinta vez seguida, sai «dodes».nosso

Como treinar

Com os curtos dá para brincar de três jeitos, e vale trocar antes de enjoar. O primeiro é o de sempre: três vezes cada vez mais rápido. O segundo é o contrário — falar lentíssimo exagerando a boca, que é o que de fato ensina a colocar a língua, e criança pequena acha mais graça ainda. O terceiro é revezado: um fala uma palavra, o outro fala a seguinte, e quem errar recomeça a frase inteira. E se a criança travar e ficar brava, erre você de propósito na volta seguinte: trava-língua deixa de ser brincadeira no instante em que só um dos dois erra.

Mais trava-línguas

Sete trava-línguas do folclore brasileiro, anônimos e em domínio público; três foram escritos pela Marytale. Em cada um está indicado qual é qual. Fonte: Sílvio Romero, 1883.