O Pescador e a Mulher Dele

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O Pescador e a Mulher Dele, a história dos irmãos Grimm. Um peixe encantado realiza desejos, e os desejos não acabam nunca.

Na beira do mar, num casebre velho, viviam um pescador e a mulher dele.

Na beira do mar, num casebre velho, viviam um pescador e a mulher dele. O casebre tinha goteiras e cheirava a rede, mas o mar ficava a dez passos e o peixe cozinhava todo dia na mesma panela.

Uma manhã o pescador tirou da água um peixe grande, prateado, de olhos claros.

Uma manhã o pescador tirou da água um peixe grande, prateado, de olhos claros. E o peixe disse com voz de gente: — Me deixe ir. Eu não sou peixe, eu sou um príncipe encantado. O pescador se assustou um pouco, soltou o peixe e a água se fechou atrás dele.

Em casa ele contou para a mulher.

Em casa ele contou para a mulher. — E você não pediu nada? — disse ela. — Peixe desses não se pesca duas vezes. Olhe para nós: moramos num casebre com goteira. Vá e peça uma casa. O pescador não queria ir, mas foi.

Chegou perto da água, que estava verde e tranquila, e chamou: — Peixinho, peixinho, saia do mar, que a minha mulher quer uma…

Chegou perto da água, que estava verde e tranquila, e chamou: — Peixinho, peixinho, saia do mar, que a minha mulher quer uma coisa. O peixe saiu e perguntou o que era. O pescador disse. — Vá — disse o peixe. — Ela já tem.

E no lugar do casebre havia uma casinha com dois quartos, um fogão, um quintal com galinhas e uma horta.

E no lugar do casebre havia uma casinha com dois quartos, um fogão, um quintal com galinhas e uma horta. A mulher estava na porta. — Está vendo? — disse ela. — Agora sim vamos viver bem. E viveram bem duas semanas.

— Esta casa é estreita — disse a mulher.

— Esta casa é estreita — disse a mulher. — O quintal não tem espaço. Eu quero um castelo de pedra. Volte lá. O pescador foi até a praia e viu que a água já não estava verde, e sim roxa e escura, e se mexia por dentro sem vento.

O peixe saiu igual e disse igual: vá, ela já tem.

O peixe saiu igual e disse igual: vá, ela já tem. E no lugar da casinha havia um castelo de pedra com escadas largas, criados e um salão onde a mesa estava posta sem ninguém ter posto. — Agora está bom — disse o pescador. — Agora a gente dorme — disse a mulher. — Amanhã se vê.

De manhã o sol a acordou e ela disse: — Castelo qualquer um tem.

De manhã o sol a acordou e ela disse: — Castelo qualquer um tem. Eu quero ser rainha deste país inteiro. — Mulher, não seja rainha — disse o pescador. — A gente está bem. — Eu sou a rainha — disse ela. — Vá.

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Fonte do texto: Trama dos irmãos Grimm (1812), em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão da tradução de ninguém.

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