O relógio que guardava a paz
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- 16 páginas
Numa família grande e cheia de carinho, os dias transbordavam de risadas, pão quentinho e a barulheira alegre de quem se ama de verdade — mesmo que, até nas melhores famílias, uma briguinha ou outra apareça. Quando Mia e Tomás descobrem um velho relógio empoeirado na oficina do vovô, esbarram num segredo quase impossível: o relógio só funciona quando reina a harmonia na casa. Um conto delicado que nos lembra que o tesouro mais precioso é o tempo que passamos em paz com quem amamos.

Nos arredores da cidade, numa casa pequena mas aconchegante, morava uma família grande e muito unida.

Ali sempre ecoavam risadas alegres, o ar cheirava a bolo recém-assado e as janelas brilhavam com uma luz quente até tarde da noite. Todos adoravam ficar juntos mas, como costuma acontecer nas famílias grandes, não faltavam pequenas discussões. Ora alguém beliscava escondido o último biscoito, ora não conseguiam concordar sobre quem lavaria a louça primeiro, e de vez em quando armavam uma disputa acirrada pelo lugar mais confortável do sofá. Mas acontecesse o que acontecesse, naquela casa sempre reinavam calor, amor e uma verdadeira união familiar.

Um dia, os netinhos curiosos, Mia e Tomás, resolveram espiar a oficina do vovô — um lugar envolto em mistério e no cheiro de madeira velha. Lá dentro havia um silêncio muito especial: nas prateleiras enfileiravam-se relógios antigos, por toda parte havia ferramentas e, no meio delas, minúsculas engrenagens e molas espalhadas sem ordem.

Mas o que mais chamou a atenção das crianças foi um grande relógio de parede, com a caixa de madeira entalhada e finos ponteiros dourados, imóveis, como se esperassem algo muito especial.

— Esse relógio não é um relógio qualquer — disse o vovô com um sorriso caloroso, entrando na oficina.

— Não é um relógio qualquer? — repetiu Mia, tocando com cuidado o vidro frio que protegia o mostrador. — Isso mesmo — o vovô assentiu. — Ele só funciona quando reina a harmonia na casa. Assim que começam as brigas, ele para. — Mas isso é impossível! — exclamou Tomás. — Relógios não podem saber o que a gente sente! O vovô sorriu de um jeito misterioso. — Vejam vocês mesmos. E, sem dizer mais nada, deixou os netos a sós com o misterioso achado.

Com cuidado, as crianças deram corda no relógio, e ele logo começou a fazer tique-taque, firme e sereno. Mas assim que começaram a discutir sobre quem o tinha visto primeiro, os ponteiros pararam de repente.

— Ora, veja só! — exclamou Mia, espantada. — Foi só coincidência! — retrucou Tomás, cruzando os braços. Tentaram de novo. E de novo: mal as vozes ficaram mais altas, o relógio parou. Mia suspirou e olhou para o irmão. — Parece que o vovô tinha razão… Mas o que a gente faz agora?
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A segunda metade da história, com ilustrações e sem internet.

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