Dona Neve

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Dona Neve, a história dos Grimm para ler para as crianças. Uma moça cai dentro de um poço e aparece num campo onde tudo lhe pede ajuda.

Uma viúva tinha duas filhas.

Uma viúva tinha duas filhas. Uma era dela, e essa podia dormir até o sol estar alto. A outra era filha do marido, e essa era mandada fiar ao lado do poço desde o amanhecer.

Ela fiava tanto e por tanto tempo que os dedos sangravam.

Ela fiava tanto e por tanto tempo que os dedos sangravam. Uma tarde pôs o fuso dentro do poço para lavar o sangue, e o fuso escorregou das mãos dela e afundou.

Correu para casa e contou o que havia acontecido já da porta, antes de tirar o lenço da cabeça.

Correu para casa e contou o que havia acontecido já da porta, antes de tirar o lenço da cabeça. A madrasta quase não a escutou. — Você jogou, você tira — disse, e voltou ao que estava fazendo.

A moça ficou um tempo longo ao lado do poço olhando para baixo.

A moça ficou um tempo longo ao lado do poço olhando para baixo. Ali estava escuro e calado, e tinha cheiro de pedra fria e de água que ninguém tirava havia muito tempo. No fim ela fechou os olhos e pulou.

Não caiu como se cai num poço.

Não caiu como se cai num poço. Ficou dia em vez de noite, a queda foi diminuindo, e quando ela conseguiu ficar de pé outra vez, estava num campo com o sol alto e milhares de flores abertas.

Começou a andar pelo campo, porque para algum lugar é preciso ir.

Começou a andar pelo campo, porque para algum lugar é preciso ir. Pouco depois chegou a um forno de pão, e do forno saía uma voz: — Me tira daqui! Me tira, que eu estou queimando! Já faz tempo que eu estou aqui dentro.

Ela abriu o ferrolho e saiu um golpe de calor.

Ela abriu o ferrolho e saiu um golpe de calor. O forno estava cheio de pães, e os de baixo já estavam escurecendo pelas beiradas. Pegou a pá, que estava encostada ali ao lado, e foi tirando todos, um por um, até o último.

Um pouco mais adiante havia uma macieira tão carregada que os galhos pendiam quase até o chão.

Um pouco mais adiante havia uma macieira tão carregada que os galhos pendiam quase até o chão. — Me sacode — disse a árvore —, que as minhas maçãs já estão maduras. A moça sacudiu, juntou todas as maçãs do chão e empilhou, e seguiu andando.

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Fonte do texto: Trama dos irmãos Grimm (1812), em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão da tradução de ninguém.

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