A Pequena Sereia

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  • 16 páginas

A Pequena Sereia, a história de Andersen para ler para as crianças. A filha mais nova do rei do mar sobe à superfície no dia em que faz quinze anos.

Longe, em alto-mar, a água é azul como as pétalas da centáurea mais bonita e transparente como o cristal mais limpo.

Longe, em alto-mar, a água é azul como as pétalas da centáurea mais bonita e transparente como o cristal mais limpo. Mas também é muito funda, mais do que qualquer âncora alcança, e lá embaixo, onde a luz não chega, fica o palácio do rei do mar.

O rei do mar era viúvo e tinha seis filhas, e a menor era a mais bonita de todas.

O rei do mar era viúvo e tinha seis filhas, e a menor era a mais bonita de todas. No jardim em frente ao palácio cada irmã tinha o seu canteiro: uma fez o dela em forma de baleia, outra encheu o dela de flores vermelhas. A menor fez o seu redondo como o sol e plantou nele uma flor só.

As irmãs se reuniam de tarde ao lado da janela de âmbar e falavam do mundo lá de cima.

As irmãs se reuniam de tarde ao lado da janela de âmbar e falavam do mundo lá de cima. A avó contava como são as cidades, as pessoas e os pássaros, e dizia que aos quinze anos cada uma poderia subir e ver com os próprios olhos.

As irmãs foram subindo uma depois da outra e voltaram com histórias.

As irmãs foram subindo uma depois da outra e voltaram com histórias. A mais velha voltou de noite e não conseguia parar de falar da cidade: dos sinos, das luzes e do barulho. A segunda falou do pôr do sol. A terceira subiu por um rio e viu crianças tomando banho. E a menor escutava e esperava.

Enfim chegou o dia dela.

Enfim chegou o dia dela. Subiu ao anoitecer e pôs a cabeça para fora bem na hora em que o sol se punha. Bem perto havia um navio grande com as velas recolhidas, e no convés havia gente, luzes e música, porque naquele dia o jovem príncipe fazia anos.

Ela chegou mais perto e olhou pela janela do camarote.

Ela chegou mais perto e olhou pela janela do camarote. Viu o príncipe — e aquele foi o primeiro rosto humano que ela via de perto na vida. Ficou olhando até o céu ficar preto, e não lhe ocorreu que houvesse algo estranho em ficar ali tanto tempo.

E depois o mar começou a mudar.

E depois o mar começou a mudar. As nuvens baixaram, a água escureceu e se levantou uma tempestade como ela nunca tinha visto. O navio rangeu, inclinou e se partiu, e as pessoas caíram na água.

A filha mais nova do rei do mar não tinha medo das ondas, porque a água era a casa dela — mas sabia que as pessoas na água se…

A filha mais nova do rei do mar não tinha medo das ondas, porque a água era a casa dela — mas sabia que as pessoas na água se afogam. Procurou muito tempo, até encontrá-lo, e segurou a cabeça dele acima da água a noite inteira, até amanhecer e ela ver terra.

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Fonte do texto: Trama de Hans Christian Andersen (1837), em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão da tradução de ninguém.

Personagens da Pequena Sereia

A pequena sereia
A filha mais nova do rei do mar. Em Andersen ela não tem nome: é chamada só de «a pequena sereia» ou «a filha mais nova» — os nomes que as pessoas lembram vêm do cinema, não do conto.
O rei do mar
O pai dela, viúvo, com seis filhas.
A avó
É quem conta a ela como é o mundo de cima e quantos anos vive uma sereia.
As cinco irmãs mais velhas
Sobem à superfície antes dela, cada uma na sua vez, e voltam com histórias.
O príncipe
Ela o vê pela janela do camarote na noite da tempestade e o salva sem que ele saiba.
A bruxa do mar
Troca a cauda dela por pernas e cobra a voz como pagamento.
A princesa do país vizinho
Criada no convento onde o príncipe acordou; é a ela que ele acredita dever a vida.

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