Conto é uma narrativa curta, em geral em prosa, com poucos personagens e um único conflito, que se resolve no fim. Pode ser popular — contado de boca em boca, sem autor conhecido — ou de autor, escrito por alguém.
A brevidade não é uma versão reduzida de nada: é a regra do gênero. No conto não sobra nada porque não há espaço para sobrar.
Características do conto
Poucos personagens. Normalmente um protagonista, um antagonista e talvez alguém que ajuda.
Um só conflito. O conto segue uma linha reta; quando aparece uma segunda linha, já não é conto.
Tempo e espaço reduzidos. A ação costuma durar pouco e acontecer em um ou dois lugares.
Final fechado. O leitor sai sabendo como terminou — e é justamente isso que separa o conto de um trecho de romance.
Partes e estrutura do conto
A apresentação mostra os personagens, o lugar e a situação inicial. Em «Chapeuzinho Vermelho» são poucas linhas: uma menina, um capuz e um pedido para levar comida à avó.
A complicação traz o problema: o lobo aparece.
O clímax é o ponto de maior tensão — o momento em que o leitor não sabe como vai acabar.
O desfecho resolve. Pode ser feliz ou não; o que não pode é faltar.
Elementos do conto
Narrador — quem conta. Pode estar fora da história ou ser um personagem dela, e disso depende tudo o que o leitor fica sabendo.
Personagens — quem age.
Enredo — o que acontece, na ordem em que acontece.
Tempo — quando se passa e quanto dura. Nos contos populares é indefinido: «era uma vez» é exatamente a forma de não dizer.
Espaço — onde se passa: uma floresta, uma casa, um caminho.
Tipos de narrador e foco narrativo
O narrador não é o autor: é a voz que conta dentro do texto. E como tudo o que o leitor sabe chega por essa voz, escolhê-la é a decisão que mais muda um conto. Na escola brasileira isso também aparece com outro nome — foco narrativo.
Narrador em terceira pessoa. Fala dos personagens como «ele» ou «ela» e está fora da história. É o dos contos populares, sem exceção: «Ao lado de uma floresta muito grande morava um lenhador» — quem conta não é o lenhador nem ninguém da casa.
Narrador onisciente. É um narrador em terceira pessoa que também sabe o que os personagens pensam e sentem, e até o que vai acontecer. Quase todos os contos clássicos usam esse, e é por isso que ele pode dizer «e a menina não desconfiava de nada».
Narrador observador. Também em terceira pessoa, mas sabe só o que se vê de fora, como uma câmera. É raro no conto infantil e frequente no conto moderno.
Narrador personagem, em primeira pessoa. Quem conta é alguém de dentro da história e diz «eu». Aproxima, mas em troca o leitor não pode saber nada que esse personagem não saiba.
Uma coisa que vale notar na leitura: os contos de tradição oral são sempre de terceira pessoa, e isso não é por acaso. Quem os contava de memória não era nenhum dos personagens — estava na sala, com as crianças na frente.
Tipos de conto
Pela origem são dois. Os populares são anônimos e chegaram falados: «Os três porquinhos», «O nabo». Os de autor têm dono: os de Hans Christian Andersen, por exemplo.
Pelo conteúdo há conto de fadas, conto de animais, conto maravilhoso, conto de terror, conto policial e conto realista. Os de fadas são os que trazem o extraordinário — fadas, bruxas, gigantes, objetos mágicos.
Vale não confundir: os irmãos Grimm não escreveram contos, eles recolheram. Andersen inventava — e por isso os dele nem sempre acabam bem.
Exemplos de contos curtos
Os contos mais curtos são os melhores para começar, porque fecham antes de a atenção acabar. Estes estão aqui completos, e o tempo é de leitura em voz alta:
«O Nabo Gigante» — quatro a cinco minutos. Uma única ação que se repete com um personagem novo a cada vez; funciona a partir dos três anos.
«O pequeno Havelmann» — quatro a cinco minutos. O mais curto de todos, e é sobre uma noite inteira de viagem sem sair da cama.
«Garbancito» — cinco a sete minutos. Um protagonista minúsculo, três cenas e um desfecho.
«A Ratinha Vaidosa» — cinco a sete minutos. Um conto de escolha, com a mesma pergunta repetida a vários pretendentes.
«As Moedas de Estrelas» — seis a oito minutos. Dos irmãos Grimm, e dos mais curtos que eles escreveram.
Conto, fábula, lenda e crônica
A fábula é um conto muito curto, com animais, que termina com a moral escrita.
A lenda parte de um lugar ou de um fato tido como real e explica a origem dele; o conto não pretende que nada tenha acontecido.
A crônica parte do cotidiano e do presente; o conto constrói uma história fechada em si.
Tipos de conto
**Conto de fadas.** Tempo e lugar indefinidos, magia tratada como coisa comum, ninguém explica nada. Cinderela, João e Maria, Rapunzel.
**Conto popular.** Veio da tradição oral e não tem autor; existe em várias versões porque cada contador mudava um pouco.
**Conto maravilhoso.** Parente do conto de fadas, mas sem fadas: o extraordinário aparece em objetos, animais e encantamentos.
**Conto fantástico.** O sobrenatural invade um mundo que até então era normal, e a dúvida fica de pé até o fim.
**Conto realista.** Nada de sobrenatural; o que interessa é o conflito entre pessoas.
**Conto de mistério e de terror.** Constrói tensão e guarda a explicação para o último parágrafo.
**Conto psicológico.** O conflito é interno; quase nada acontece por fora.
As partes do conto
**Apresentação.** Situa personagens, tempo e lugar, e mostra a situação inicial antes de tudo mudar.
**Complicação.** Aparece o conflito — o elemento que tira a história do lugar.
**Clímax.** O ponto de maior tensão, em que tudo se decide.
**Desfecho.** O conflito se resolve, bem ou mal, e a história fecha.
Por ser curto, o conto costuma entrar direto na complicação: um romance pode gastar cinquenta páginas para apresentar, um conto gasta duas linhas.
Características do conto: resumo
**Narrativa curta**, lida de uma sentada.
**Um só conflito.** Tramas paralelas pertencem ao romance, não ao conto.
**Poucos personagens**, e quase sempre um só protagonista.
**Tempo e espaço reduzidos.** Um dia, uma casa, uma estrada.
**Foco narrativo definido** — narrador em primeira ou em terceira pessoa, e ele não muda no meio.
**Final fechado ou aberto**, conforme a intenção do autor; nos contos populares é quase sempre fechado.
Na prova, o que separa conto de crônica costuma ser isto: a crônica parte de um fato do dia a dia e comenta; o conto inventa um enredo com começo, meio e fim.