O Pastor Mentiroso

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O Pastor Mentiroso, a fábula de Esopo com moral. Um menino grita «lobo!» duas vezes por tédio, e na terceira ninguém sobe a colina.

Acima do vilarejo havia uma colina comprida e mansa, e nela pastava um rebanho de ovelhas.

Acima do vilarejo havia uma colina comprida e mansa, e nela pastava um rebanho de ovelhas. Quem cuidava delas era um menino, o menor de todo o vilarejo, porque esse era o trabalho que se dava ao menor: não precisa levantar nada, só olhar.

Antes de mandá-lo para aquela colina, os vizinhos disseram a ele uma coisa só: se o lobo vier, grite.

Antes de mandá-lo para aquela colina, os vizinhos disseram a ele uma coisa só: se o lobo vier, grite. Basta gritar alto, e todos vão subir, porque as ovelhas são de todos e não de quem cuida delas.

O primeiro dia foi interessante.

O primeiro dia foi interessante. O segundo, já menos. No terceiro, o menino estava sentado numa pedra olhando o vilarejo lá embaixo: alguém tirava água, alguém carregava lenha, alguém discutia na praça. E ele não fazia nada, porque não havia nada para fazer.

Puxou o ar e gritou tão alto que a garganta doeu: — Lobo!

Puxou o ar e gritou tão alto que a garganta doeu: — Lobo! Lobo! Nem ele mesmo sabia para que fazia aquilo. Queria que acontecesse alguma coisa, e aconteceu.

O vilarejo inteiro levantou a cabeça ao mesmo tempo.

O vilarejo inteiro levantou a cabeça ao mesmo tempo. O padeiro saiu com as mãos brancas de farinha, uma mulher deixou o balde no meio do caminho do poço, um homem soltou o machado no toco. Subiram a colina correndo, e subir aquela colina correndo não é fácil.

Lá em cima não havia lobo nenhum.

Lá em cima não havia lobo nenhum. Havia um menino que ria tanto que não conseguia ficar de pé, e umas ovelhas que nem tinham levantado a cabeça. Os vizinhos ficaram um tempo calados e depois desceram sem dizer nada.

Alguns dias depois o tédio ficou ainda pior do que antes.

Alguns dias depois o tédio ficou ainda pior do que antes. O menino se levantou, puxou o ar e gritou pela segunda vez — exatamente igual à primeira. Subiu menos gente, subiram mais devagar, e desta vez um deles disse alguma coisa antes de ir.

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Fonte do texto: Fábula de Esopo (século VI a.C.), em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão da tradução de ninguém.

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