O Papagaio Pelado
- 8-10 min de leitura
- 18 páginas
O Papagaio Pelado, de Horacio Quiroga, para ler para as crianças. Um papagaio que tomava chá com a família encontra no mato uma onça muito astuta.

Era uma vez um bando de papagaios que morava no mato. De manhã iam comer milho verde na roça, e de tarde voltavam para o mato, sempre conversando e gritando. Um dia os peões derrubaram uma árvore, e do ninho caiu um papagaio filhote. Levaram para as crianças da casa, e elas o curaram, porque ele só tinha uma asa quebrada.

O papagaio se curou muito bem e ficou completamente manso. Chamava-se Pedrito. Aprendia a falar, e dizia «bom dia, louro!», «que batata boa!», e outras coisas que os papagaios dizem.

Pedrito almoçava com a gente da casa. E às cinco da tarde, quando a família tomava chá, o papagaio comia pão molhado em leite com chá. E ficava louco de contente, porque ele gostava muitíssimo de chá com leite.

Depois de tomar o chá, voava até o galho mais alto do eucalipto, penteava as penas e dizia bem alto: — Que batata boa! Que chá com leite bom! E todos os do mato o ouviam.

Mas num dia de outono o papagaio notou uma coisa. Notou que no fundo do mato, onde ele nunca havia ido, havia uma clareira muito bonita. E naquela tarde, em vez de voltar para a casa, foi voando até lá.

A clareira era linda, com um riacho pequeno no fundo, e Pedrito começou a andar pela areia dizendo: — Que batata boa! Que chá com leite bom! Falava muito alto e muito contente, e não olhava para os lados.

De repente ouviu uma voz rouca que lhe disse: — Bom dia! Pedrito se virou e viu, agachada entre as folhas, uma onça que o olhava fixamente.

O papagaio se assustou muito; mas a onça falou com ele com uma voz bem macia: — Bom dia, louro! Que bonito você é! Que penas bonitas você tem! E Pedrito, que era muito vaidoso, ficou bem contente, e chegou um pouco mais perto.

— Você toma chá com leite? — perguntou a onça. — Tomo — respondeu Pedrito. — Ah, que bom! Eu também quero tomar chá com leite, mas estou com muito frio. Venha aqui perto, que eu vou me esquentar um pouco com você. E Pedrito, bobinho, chegou perto até ficar ao alcance da pata.
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A segunda metade da história, com ilustrações e sem internet.

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Fonte do texto: Trama de Horacio Quiroga, de «Contos da selva» (1918). Em domínio público desde 2008. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão da edição de ninguém.
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