O Corvo e a Raposa

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O Corvo e a Raposa, a fábula de Esopo com moral. Uma raposa elogia a voz de um corvo que está com um queijo no bico.

Era bem cedo e sobre o campo ainda ficava o resto frio da noite.

Era bem cedo e sobre o campo ainda ficava o resto frio da noite. O corvo estava na beira do telhado do sítio e esperava a porta da cozinha se abrir, porque de manhã sempre caía alguma coisa no terreiro.

Naquela manhã sobrou um pedaço de queijo.

Naquela manhã sobrou um pedaço de queijo. Não era grande, mas era amarelo e tinha aquele cheiro que faz um pássaro descer do telhado sem pensar. O corvo desceu, agarrou com o bico e voltou para cima numa batida de asa.

Voou com o queijo no bico até o carvalho velho da estrada e pousou num galho alto, de onde se via tudo.

Voou com o queijo no bico até o carvalho velho da estrada e pousou num galho alto, de onde se via tudo. Ali ninguém podia alcançá-lo, e ali ele pensava comer com calma.

Pela estrada, embaixo, ia uma raposa.

Pela estrada, embaixo, ia uma raposa. Não tinha pressa e parecia estar voltando de lugar nenhum. Levantou a cabeça uma vez, andou dois passos e levantou outra vez.

— Que pássaro — disse a raposa na direção da estrada, não na direção da árvore.

— Que pássaro — disse a raposa na direção da estrada, não na direção da árvore. — Há anos eu não vejo um assim nesta região.

— E essas penas — continuou a raposa, e se sentou como se tivesse o dia inteiro.

— E essas penas — continuou a raposa, e se sentou como se tivesse o dia inteiro. — Grandes, negras, brilhantes. Se ainda cantasse, não haveria outro igual na floresta toda.

— Mas com certeza não canta — suspirou a raposa bem fundo, olhando para o lado, como se falasse consigo mesma.

— Mas com certeza não canta — suspirou a raposa bem fundo, olhando para o lado, como se falasse consigo mesma. — Pássaro bonito quase nunca canta.

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Fonte do texto: Fábula de Esopo (século VI a.C.), em domínio público. O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão da tradução de ninguém.

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