O dragãozinho que tinha medo de voar

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Uma história de dragões para ler para as crianças. Um dragãozinho já tem asas do tamanho certo, e a beira do penhasco continua sendo a beira do penhasco.

No alto de uma montanha de pedra vermelha, onde as nuvens passam tão perto que dá para ouvi-las, morava uma família de…

No alto de uma montanha de pedra vermelha, onde as nuvens passam tão perto que dá para ouvi-las, morava uma família de dragões. Eram cinco: a mãe, o pai, duas irmãs mais velhas e o menor de todos, que se chamava Bru.

Bru tinha tudo o que um dragão precisa ter.

Bru tinha tudo o que um dragão precisa ter. Escamas verdes que ficavam douradas no sol. Um sopro que já aquecia a pedra. E asas — asas boas, do tamanho certo, que ele abria e fechava todos os dias para ver como estavam.

O que Bru não tinha era vontade de chegar perto da beira.

O que Bru não tinha era vontade de chegar perto da beira.

As irmãs voavam desde o verão anterior.

As irmãs voavam desde o verão anterior. Saíam de manhã, davam três voltas no vale e voltavam contando coisas: que o rio de cima parece um fio, que as ovelhas de cima parecem pedras que andam, que o vento no alto tem cheiro de chuva antes de chover.

Bru escutava tudo e guardava tudo.

Bru escutava tudo e guardava tudo. Sabia de cor o caminho que elas faziam, sabia onde o vento subia e onde descia, sabia até em que pedra era melhor pousar. Só não sabia como é sair do chão.

— Você quer que eu te empurre?

— Você quer que eu te empurre? — perguntou a irmã do meio, uma vez, e não estava sendo má: para ela aquilo parecia a coisa mais simples do mundo. — Não — disse Bru. — Se me empurrarem, quem voa é o empurrão.

A mãe ouviu aquilo da entrada da caverna e não disse nada.

A mãe ouviu aquilo da entrada da caverna e não disse nada. Mas naquela noite, quando todos já estavam deitados, ela se sentou ao lado dele. — Você já sabe voar — disse. — Você só ainda não sabe começar. São duas coisas diferentes, e ninguém te ensina a segunda.

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