O dragão que guardava a ponte

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Uma história de dragões para ler para as crianças. Para atravessar a ponte é preciso responder a uma pergunta, e há cem anos ninguém responde.

Entre dois vilarejos corria um rio fundo, e sobre o rio havia uma ponte de pedra.

Entre dois vilarejos corria um rio fundo, e sobre o rio havia uma ponte de pedra. Era a única ponte em muitas léguas, e debaixo dela, no arco, morava um dragão.

Ele não comia ninguém.

Ele não comia ninguém. Nunca havia comido ninguém. A regra dele era outra, e todos a conheciam: para atravessar a ponte era preciso responder a uma pergunta.

A pergunta era sempre a mesma, e fazia cem anos que era a mesma: — O que é que fica maior quanto mais se tira dele?

A pergunta era sempre a mesma, e fazia cem anos que era a mesma: — O que é que fica maior quanto mais se tira dele?

Ninguém sabia. As pessoas paravam na entrada da ponte, pensavam um pouco, davam de ombros e iam dar a volta pelo vau, três…

Ninguém sabia. As pessoas paravam na entrada da ponte, pensavam um pouco, davam de ombros e iam dar a volta pelo vau, três horas rio abaixo. Com o tempo passaram a ir direto pelo vau, sem nem chegar perto da ponte.

E assim o dragão ficou sozinho.

E assim o dragão ficou sozinho. Tinha uma ponte inteira, um arco seco e uma pergunta boa, e não tinha com quem usar nada daquilo.

Numa tarde de outubro apareceu na ponte uma menina de uns oito anos, com um cesto de ovos.

Numa tarde de outubro apareceu na ponte uma menina de uns oito anos, com um cesto de ovos. Ela chegou até o meio, parou e esperou, porque sabia a regra: a avó dela havia explicado.

O dragão saiu de debaixo do arco.

O dragão saiu de debaixo do arco. Era grande, cinzento como a pedra da ponte, e tinha os olhos de alguém que dorme muito porque não há mais nada para fazer. — O que é que fica maior quanto mais se tira dele? — disse ele.

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