A ferrovia subterrânea da toupeira Tomás
- 7-9 min de leitura
- 15 páginas
Tomás é uma toupeirinha de olhos curiosos que ama, mais do que tudo, explorar os caminhos escondidos debaixo da sua floresta. Quando o seu cavar de todos os dias desperta uma grande ideia, um túnel qualquer se transforma numa verdadeira ferrovia subterrânea que une todos os moradores da floresta. Uma história calorosa sobre bondade, amizade e aquela linda verdade: as maiores mudanças começam com um pequeno sonho e uma enorme vontade de deixar o mundo um pouquinho melhor.

Bem no meio de uma floresta densa e verde, dentro de uma toca aconchegante, vivia uma toupeirinha chamada Tomás. Ele tinha os olhos mais curiosos do mundo e duas patinhas miúdas que não paravam nunca. E, mais do que tudo, Tomás adorava cavar. Todos os dias alargava com capricho os seus túneis sinuosos, e cada vez que descobria um cantinho novo debaixo da terra, arregalava os olhos de espanto — pois cada descoberta lhe parecia um pequeno milagre.

Mas, com o passar das estações, cavar virou rotina, e Tomás começou a pensar. E se o seu talento pudesse servir não só a ele, mas também aos outros moradores da floresta? Numa manhã de neblina, quando os primeiros raios pálidos de sol ainda tentavam furar os galhos, Tomás pôs o narizinho para fora e ouviu a esquilinha Mia discutindo com a lebre Max.

— Preciso levar estas nozes até o outro lado da floresta, e é taaaão longe! — reclamava Mia, com as bochechas cheinhas. — E eu preciso chegar rapidinho ao campinho de grama mais fresca! — bufou Max, batendo a pata comprida no chão.

Naquele instante, Tomás soube que podia ajudar. “E se eu construísse uma ferrovia subterrânea?”, pensou ele. “Aí todo mundo poderia atravessar a floresta rápido e em segurança, com sol ou com chuva.” A ideia brilhou na sua cabeça como o sol numa poça. Sem perder um minuto sequer, Tomás arregaçou as mangas e mãos à obra.

Primeiro, fez um plano. Cavaria túneis ligando os lugares mais importantes de toda a floresta: a grande clareira do carvalho, o lago reluzente, a ravina dos cogumelos e a rocha cinzenta e alta onde morava a sábia coruja. Era uma tarefa enorme, mas, se havia uma coisa que a Tomás sobrava, era teimosia alegre e cheia de vontade.

Então chamou os amigos para ajudar. O castor Bruno talhou trilhos bem lisos dos troncos de arvorezinhas novas, e a ratinha Emma montou os vagõezinhos, um por um. O trabalho fervia de dia e à luz de lanterna de noite. Toc, tec, bum! E, depois de algumas semanas atarefadas, o primeiro trecho da ferrovia subterrânea ficou pronto.

Para a grande inauguração, todos os bichos da floresta se reuniram, morrendo de vontade de ver o que o esperto Tomás tinha inventado. Cheio de orgulho, ele mostrou como os vagõezinhos andavam: deslizavam suavemente graças a um esperto sistema de pedais que se apertavam com as patinhas. Vrum, clique, e lá iam eles! A plateia inteira soltou um “oh!” de admiração e aplaudiu.
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A segunda metade da história, com ilustrações e sem internet.

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