O que é mito: características, tipos e exemplos

O mito explica a origem do mundo, dos deuses ou das pessoas e faz parte de um sistema de crenças. Características, tipos e a diferença para a lenda.

Mito é a narrativa que explica a origem do mundo, dos deuses, dos seres humanos ou da ordem das coisas, e que pertence a um sistema de crenças. Não se conta um mito para entreter: conta-se para explicar por que tudo é como é.

Seus personagens são divindades e seres primordiais, e o tempo é anterior ao tempo histórico. Por isso um mito nunca tem data — e não pode ter.

Características do mito

**Explica uma origem.** A do mundo, a do fogo, a da mandioca, a da morte. Sempre responde a um «por quê» que ninguém pode comprovar.

**Tem deuses como personagens.** Seres com poder sobre a natureza, não humanos extraordinários.

**Acontece em tempo primordial.** «Quando ainda não havia sol», «antes de existirem os homens».

**Pertence a uma religião.** O mito era acreditado pelo povo que o contava; não era literatura, era explicação do mundo.

**É anônimo e oral.** Passou séculos sendo transmitido antes de ser escrito, e por isso existe em várias versões.

**É coletivo.** Não fala de uma pessoa, fala de todos: de como veio a existir o povo que o conta.

Tipos de mito

**Cosmogônicos.** Explicam a origem do universo.

**Teogônicos.** Contam o nascimento dos deuses e as lutas entre eles.

**Antropogônicos.** Explicam de que os seres humanos foram feitos.

**Etiológicos.** Explicam a origem de uma coisa concreta — uma planta, um animal, um costume. A maior parte dos mitos indígenas que chegaram até nós é deste tipo.

**Escatológicos.** Falam do fim do mundo e do que vem depois.

**Morais.** Opõem o bem e o mal e explicam por que existem os dois.

Diferença entre mito e lenda

É a pergunta mais feita, e a resposta mais curta é: o mito explica a origem do mundo, a lenda explica a origem de um lugar.

**O mito** acontece antes da história, tem deuses, pertence a uma religião e não se pode situar no mapa.

**A lenda** parte de algo real — um rio, uma mata, uma pessoa —, é contada como se tivesse acontecido e dá para visitar.

**A fábula** é curta, tem animais e escreve a moral no fim.

**O conto de fadas** não se prende a lugar nenhum e ninguém pretende que seja verdade.

As lendas brasileiras mostram bem o limite. O Curupira protege uma mata que existe: é lenda. O relato de como a mandioca nasceu do corpo de uma menina enterrada, num tempo em que os deuses ainda falavam com as pessoas, é mito.

Exemplos de mitos

**Mitos indígenas brasileiros.** A origem da mandioca a partir da menina Mani; a origem da noite, guardada dentro de um caroço de tucumã na casa da Cobra Grande; a origem do guaraná e a do milho.

**Mitos gregos.** Prometeu roubando o fogo; Perséfone e a origem das estações; Ícaro e as asas de cera.

**Mitos de outros povos.** O Gilgamesh sumério sobre a busca da imortalidade; a árvore do mundo nórdica; o dilúvio, que aparece em dezenas de culturas sem ligação entre si.

Muitos relatos que hoje chamamos de lenda eram mitos: perderam o sistema de crenças de que faziam parte e ficaram sendo história de assombrar. O Boitatá é um bom exemplo — nasceu como explicação de origem e virou aviso contra pôr fogo no mato.

Os mitos são verdade?

Como história comprovável, não. Como explicação de um povo sobre si mesmo, sim: o mito é a resposta que uma cultura deu antes de ter outra.

Isso não os torna mentiras. Um mito guarda o que aquele povo considerava importante — a mandioca, o sol, a água, a morte — e por isso os mitos de dois continentes diferentes se parecem tão pouco nos detalhes e tanto nas perguntas.

Como contar mitos para crianças

A partir dos seis ou sete anos funcionam melhor. Antes disso os nomes são muitos e o tempo primordial é difícil de sustentar; depois, a ideia de alguém explicar o trovão sem saber o que era o trovão fica fascinante.

Vale dizer logo no começo que isso era acreditado por quem contava. Não «era mentira», e sim «era a explicação deles» — a diferença é pequena e muda por completo o jeito como a criança escuta.

No site reescrevemos as lendas e os relatos de origem a partir de fontes em domínio público, e quando uma história tem duas versões conhecidas a página diz qual seguimos.

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