Matolek, o Cabritinho

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Matołek, o cabritinho, o clássico polonês de Kornel Makuszyński. Ele quebra um casco e sai procurando o vilarejo onde ferram cabras.

Num vilarejo pequeno junto a um rio vivia um cabritinho a quem todos chamavam de Matołek.

Num vilarejo pequeno junto a um rio vivia um cabritinho a quem todos chamavam de Matołek. Não porque fosse bobo — ele simplesmente fazia tudo um pouco diferente dos outros. Quando as outras cabras iam para a direita, ele ia para a esquerda, e em geral acontecia que pelo caminho ele havia visto alguma coisa que os outros não tinham visto.

Um dia Matołek descia correndo por uma trilha íngreme e pisou tão mal que quebrou um casco numa pedra.

Um dia Matołek descia correndo por uma trilha íngreme e pisou tão mal que quebrou um casco numa pedra. Doía muitíssimo. Ele se sentou no mato, olhou o casco de todos os lados e pensou que, se fosse um cavalo, o ferreiro poria nele uma ferradura e assunto resolvido.

Disse isso em voz alta, e uma cegonha velha que estava ao lado, na valeta, levantou a cabeça.

Disse isso em voz alta, e uma cegonha velha que estava ao lado, na valeta, levantou a cabeça. — Então vá para Pacanów — murmurou. — Dizem que lá se ferram cabras. Matołek não perguntou nem onde ficava Pacanów. Levantou-se, se sacudiu e pegou o caminho naquela mesma tarde.

Foi primeiro ao longo do rio, depois pelos campos, depois pela floresta, e perguntava a todo mundo que encontrava.

Foi primeiro ao longo do rio, depois pelos campos, depois pela floresta, e perguntava a todo mundo que encontrava. Perguntou aos esquilos, perguntou a um carroceiro, perguntou a uma mulher com um cesto de cogumelos. Todos diziam a mesma coisa: — Pacanów? Com certeza existe. Mas ninguém sabia apontar para onde.

Ao anoitecer chegou a um rio largo que não tinha ponte.

Ao anoitecer chegou a um rio largo que não tinha ponte. Sentou-se na margem e ficou pensando até anoitecer de vez. De manhã viu uns balseiros que desciam madeira e pediu que o levassem. Navegou com eles três dias e, de passagem, aprendeu a dar nós.

Do outro lado do rio havia uma feira.

Do outro lado do rio havia uma feira. Matołek nunca havia visto tanta gente junta. Três lavradores o compraram, um depois do outro, porque a cada um pareceu que uma cabra assim era uma pechincha, e cada vez Matołek se deixou comprar com muita educação e depois foi embora quando ninguém olhava, porque sobre esse assunto ele tinha a opinião dele.

Na feira ele conheceu também um mascate que vendia mapas.

Na feira ele conheceu também um mascate que vendia mapas. — Pacanów? — estranhou o mascate, e ficou um bom tempo passeando o dedo pelo papel. — Não tem. Deve ser pequeno demais. Matołek agradeceu, gastou a última moeda dele numa rosquinha e seguiu andando, porque se o vilarejo não está no mapa, com mais razão é preciso ir ver.

Andou o verão inteiro.

Andou o verão inteiro. Dormia nos palheiros e debaixo das pontes, e quando chovia se metia embaixo das carroças. Aprendeu a distinguir em que casa lhe dariam comida e em qual o expulsariam — e, coisa estranha, pelo telhado e pelas cortinas dava para saber quase sempre.

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Fonte do texto: O personagem e a trama estão em domínio público desde 1º de janeiro de 2024 (Kornel Makuszyński morreu em 1953, e os direitos de autor expiram 70 anos depois da morte do autor). O texto foi escrito de novo para o Marytale — não é a reimpressão do original.

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