Lina, a ovelhinha que seguia o próprio caminho

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  • 18 páginas

Num vale verde, onde todos seguem sempre a mesma trilha de sempre, uma ovelhinha chamada Lina escolhe o seu próprio caminho. Esta é uma história sobre curiosidade, sobre a coragem de ser diferente e sobre confiar naquela vozinha que mora dentro da gente. Ela lembra aos pequenos leitores que, às vezes, quem se afasta do caminho conhecido é justamente quem enxerga o que mais importa.

Num vale verde, aninhado entre colinas altas e campos cheios de flores coloridas, vivia um grande rebanho de ovelhas…

Num vale verde, aninhado entre colinas altas e campos cheios de flores coloridas, vivia um grande rebanho de ovelhas branquinhas, fofas e muito obedientes.

Os dias delas eram todos iguais.

Os dias delas eram todos iguais. Toda manhã seguiam a mesma trilha até o pasto, bebiam do mesmo riacho de sempre e voltavam para o aprisco bem na hora em que o sininho do pastor tocava: tlim, tlim.

Todas, menos a Lina. Ela era a ovelha que sempre saía da trilha. Os caminhos batidos não a atraíam nem um pouquinho: Lina…

Todas, menos a Lina. Ela era a ovelha que sempre saía da trilha. Os caminhos batidos não a atraíam nem um pouquinho: Lina explorava clareiras novas, parava no meio do caminho para cheirar uma flor desconhecida ou ficava encantada, olhando o sol dançar nas gotinhas de orvalho.

Muitas vezes ela ficava para trás e sumia de vista, mas sempre voltava — um pouco despenteada, um pouco cansada, e com os…

Muitas vezes ela ficava para trás e sumia de vista, mas sempre voltava — um pouco despenteada, um pouco cansada, e com os olhos brilhando de tudo o que tinha descoberto.

— Por que você vive se arrastando sozinha por aí?

— Por que você vive se arrastando sozinha por aí? — resmungava a velha Marta, uma ovelha que conhecia todas as regras e sempre zelava pela ordem. — Porque eu gosto de ver o mundo de outro jeito, e não só da trilha por onde todo mundo anda — respondia Lina, tranquila. As outras ovelhas cochichavam: — Que esquisita… não é nada como a gente.

Mas a Lina não ligava.

Mas a Lina não ligava. O que realmente importava para ela era explorar, sonhar e fazer novas descobertas. Ela não era teimosa; apenas sentia, lá no fundo, que o mundo era muito maior do que uma única trilha.

Um dia, nuvens pesadas se juntaram sobre o vale.

Um dia, nuvens pesadas se juntaram sobre o vale. O céu escureceu de repente e um vento forte começou a soprar. O velho Bruno, o cão pastor, ficou inquieto: ele sempre teve faro para o mau tempo.

— Para o aprisco! — ressoou o seu latido bem alto. Na mesma hora as ovelhas saíram andando como sempre, bem juntinhas, igual…

— Para o aprisco! — ressoou o seu latido bem alto. Na mesma hora as ovelhas saíram andando como sempre, bem juntinhas, igual a todos os dias. Mas a Lina ficou paradinha. Ela olhava fixo para o horizonte. Lá, por onde passava a trilha de sempre, o céu parecia mais escuro do que nunca. O ar parecia prender a respiração, e algo dentro dela sussurrou: por ali é perigoso ir.

Em vez de correr atrás das outras, Lina virou para o lado, para onde cresciam os pinheiros altos.

Em vez de correr atrás das outras, Lina virou para o lado, para onde cresciam os pinheiros altos. Entre as árvores, ela avistou uma saliência de rocha e, embaixo dela, uma pequena caverna. Entrou e logo sentiu: ali estava seguro, seco e quietinho, mesmo com o trovão já roncando lá fora.

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