A família Ronrom e o relógio que parou a noite

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Numa casa velha na beira da cidade mora uma família de gatos da noite, os Ronrom, e cada um tem sua tarefa para que a noite seja calma e aconchegante. Todos, menos o gatinho mais novo, Pinta, que ainda não tem tarefa e tem uma grande pergunta: para que servem as regras? Quando Pinta descobre um tesouro misterioso no sótão, uma noite comum se transforma numa aventura que vai mudá-lo para sempre. Uma história terna e sábia sobre liberdade, sobre o carinho da família e sobre a força silenciosa das regras.

Na beira da cidade havia uma casa velha, cujas paredes rangiam com o vento e cujo relógio da torre vivia, teimoso, três…

Na beira da cidade havia uma casa velha, cujas paredes rangiam com o vento e cujo relógio da torre vivia, teimoso, três minutos atrasado. Ali morava uma família de gatos da noite, e o sobrenome deles era Ronrom.

Cada gato da família tinha a sua tarefa.

Cada gato da família tinha a sua tarefa. O vovô Ronrom percorria os telhados toda noite para conferir se todos os lampiões brilhavam por igual.

A tia Listra cuidava da sombra da lua, para que ela nunca se esticasse demais nem ficasse tão escura a ponto de assustar as…

A tia Listra cuidava da sombra da lua, para que ela nunca se esticasse demais nem ficasse tão escura a ponto de assustar as crianças adormecidas.

E Luna, a irmã mais velha, embrulhava os sonhos em novelos macios e fofinhos e os soltava, com muito cuidado, pelas janelas…

E Luna, a irmã mais velha, embrulhava os sonhos em novelos macios e fofinhos e os soltava, com muito cuidado, pelas janelas dos quartos das crianças.

Mas Pinta — o menorzinho de todos — ainda não tinha tarefa noturna.

Mas Pinta — o menorzinho de todos — ainda não tinha tarefa noturna. Era um gatinho com as quatro patinhas de cores diferentes, que vivia se enroscando entre os pés, sempre chegava atrasado à reunião da noite e sempre fazia as perguntas mais difíceis.

— Por que eu tenho que limpar os bigodes, se nem como com eles?

— Por que eu tenho que limpar os bigodes, se nem como com eles? — Por que não posso correr pelos telhados o mais rápido que eu quiser? — E, afinal… para que servem as regras?

Diante de perguntas assim, o vovô Ronrom só balançava a cabeça.

Diante de perguntas assim, o vovô Ronrom só balançava a cabeça. — Nós, os Ronrom, não somos gatos comuns — dizia ele. — Somos os guardiões da ordem da noite.

— E o que tem lá no nosso sótão?

— E o que tem lá no nosso sótão? — perguntava Pinta toda noite. — Lá dormem as coisas velhas — resmungava a tia Listra.

— E também um tesouro — brincava o vovô Ronrom.

— E também um tesouro — brincava o vovô Ronrom. — Mas, para encontrá-lo, é preciso ser um verdadeiro Ronrom.

Certa noite, enquanto os Ronrom cuidavam de suas tarefas, Pinta não se conteve.

Certa noite, enquanto os Ronrom cuidavam de suas tarefas, Pinta não se conteve. Sem fazer barulho, subiu a escada em caracol, onde a poeira se estendia como um cobertor fofo e as teias de aranha pendiam como cortinas de renda.

Entre as malas, os lampiões apagados e os velhos relógios silenciosos, algo brilhou.

Entre as malas, os lampiões apagados e os velhos relógios silenciosos, algo brilhou. Era um pequeno relógio de cobre que, no lugar do ponteiro, tinha um rabinho de gato.

— O tesouro! — sussurrou Pinta. — Aqui está ele, o de verdade! — E tocou nele com a patinha. Naquele mesmo instante, o tempo…

— O tesouro! — sussurrou Pinta. — Aqui está ele, o de verdade! — E tocou nele com a patinha. Naquele mesmo instante, o tempo parou.

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